E o cara voltou a me tocar. Aconteceu sexo de novo. Os dias andavam todos iguais. As noites, aliás. Eu sempre chegando depois das dez e o cara de samba canção vendo Big Brother pelo pay per view... Tinha a hora do telejornal, da escola de samba... A hora de dormir... Eu lá de utensílio sem uso... Sei lá... Tenho que alterar o ritmo, mudar alguma coisa... Queria encontrar com ele em outro lugar.... Não sei ser com ele...
Liguei no fim da tarde e ele não atendeu. Eu aqui sem idéias...
Ando chata com essa depressão involuntária. Alguma atividade sempre é bom. Já arrumei as contas da semana, cuidei do almoço, lavei roupa na máquina, dei uma ordem na casa... Vou escovar os dentes e ver TV...
¶ 12:51 PM
Saturday, March 05, 2011
Arrumei um "relacionamento sério" que nem me toca... Tô num relacionamento sem sexo... E o cara, nem fuma nem bebe... Como sei que é homem???? Muito estranho esse cara: será que tenho bafo, tô larga e fodo mal? Falando nisso comprei uns creminhos, lubs, e bolinhas de pompoarismo...
¶ 4:40 AM
Wednesday, January 26, 2011
Quando não se sabe para onde se vai o que adianta seguir em frente? Em que direção, pra chegar onde? E me vejo assim, seguindo, seguindo, repetindo erros, sem mudar a vida.
Parece que voltei uns dez anos, e isso seria ótimo se o corpo e o rosto não tivessem cobrado seu preço pelo tempo percorrido. E em moeda mesmo, porque para voltar dez anos algumas reformas físicas foram necessárias: próteses de silicone, lipoaspiração de barriga, flancos, culotes; botox aqui e ali; preenchimento com ácido hialurônico - que está vencido, assim como o peeling para as manchas adquiridas na azaração sob o sol - mesmo sendo após 3 da tarde - e o laser para melhorar as pálpebras, de pele fina e começando a cair...
Ainda bonita, mais bonita e em forma do que nunca. Tudo em ordem, arrumado. Depois do verão virão o peeling e o laser. O ácido hialurônico, nas férias de fevereiro, na segunda semana, para poder ficar uns oito dias escondida, sem que me vejam com boca de pato, até que o resultado apareça.
Mas é tão bom poder pagar por esses melhoramentos... Clareamento dental fiz alguns também, mas perde-se rápido, o amareladinho volta assim que se continua a viver - mesmo evitando-se café e outras obviedades.
Andei saindo mais, queria estar menos sozinha, menos comigo. Queria estar com uma eu mais feliz. Precisava me sentir desejada, cortejada e, por que não, fodida. Literalmente, pau na buceta mesmo. Ando sem paciência para meias palavras... Mas feliz com os bons silêncios.
Minha vida ficou mais animada. Na Barra saí por todo lado e vi todo tipo de gente cafona possível. Os belos estão na zona sul. Gente de pouca conversa em todos os lugares. Conheci ótimos rapazes de menos de 25 anos e fui ser feliz com alguns deles. Os homens fazem isso toda hora. Faço eu agora também.
Precisei melhorar as roupas. Tudo charmoso, sensual, relaxado como se eu fosse assim mesmo. E sou. Agora sou essa que invento. Quero estar sempre bonita. Não quero me ver abatida no espelho. Maquiagem até para a praia e academia - nude, claro, mas a correção está lá. À noite peso mais a mão. Mas bom gosto sempre.
Se não tenho o meu homem posso ter todos os outros. Desapaixonei. Deixei um pouquinho de sentimento em banho-maria caso ele venha a me enxergar. Outros tem me notado. Vou levando. Existem muitas maneiras de ser feliz, estou dando o meu jeito. É o que temos para o momento... Estou me amando demais e a vida está mais saborosa. Quero ir a lugares, ouvir músicas boas e ter boas conversas. Se tiver beijo na boca e sexo, ótimo. Vou agradecer sempre pelo que consigo de bom e deixar de querer sempre mais. Viver o momento...
¶ 5:47 PM
Queria ter uma vida à prova de absurdos; inevitável pensar isso. Meu irmão usa meu carro e faz umas três multas por semana. Elas chegam, eu levo até ele, ele assina rosnando e eu vou até à prefeitura tirar do meu nome. Coisas assim. Ainda não consegui comunicar a venda junto ao Detran, tenho que ir até lá entender como é, ou dar sorte do telefone deles atenderem e me explicarem - mais uma resolução de ano novo.
Outra é parar de me sabotar. Parar de ser agressiva com os outros e gerar problemas para mim; querendo ser a fodona, virei a fudida. Nem quero mais pensar nisso... Ainda dói. E ainda não consegui entender o que aconteceu direito - ou não quero, porque parece que a errada sou eu.
Vou parar de dar notícias de mim no facebook. Vi notícias agradáveis dele que não gostei. Não quero ver o cara que me deixou na merda feliz. Isso é patético, egoísta e feio. Mas sou um pouco assim. Sei que tenho que cuidar da minha vida, mas no momento estou de olho no retrovisor. Melhor tomar cuidado e olhar pra frente, antes de me chocar em algo.
Vai ver as festas de fim de ano e seus dias livres acabaram me dando tempo para fazer mais besteiras do que seria divertido. Foi preciso meu corpo me calar, literalmente, para eu me acalmar um pouco. Muito chateada pelo que não aconteceu, pelo que eu destruí... Cristal colado não rola. Eu já vi esse filme... Eu sei perdoar os outros, mas tá difícil perdoar a mim mesma..
¶ 9:57 AM
Informação sobre sabedoria eu tive. Consegui construir algum discernimento em mim. A vida que levamos é a vida que construímos, afinal. Sei na carne. Erro muito. E hoje me pego no meio de um erro, no durante do sofrimento com o que aconteceu, ainda tentando entender se o erro foi o que fiz, o que me fez fazer o que fiz, ou o que sinto com o que fiz ou ainda por que fiz o que fiz? Por que trouxe esse sofrer pra minha vida? Por que não agi no momento com minha sabedoria? Por quê? Por quê? É a vida que se contrói...
Coisas não acontecem, coisas são feitas. Muitas vezes por nós. A nossa capacidade de interferir no fluxo da vida é uma grande responsabilidade. A pressa, a loucura, a agressividade, a ansiedade, a impulsividade podem poluir o momento que poderia ser belo e pleno por si, não fosse uma pressa em ajustar a situação para tudo correr do seu jeito: o jeito tosco. Quando queremos ser os deuses da nossa vida algo pode desandar.
¶ 9:31 AM
Por muito tempo fui atrás das palavras quando queria entender os sentimentos. É um jeito de tentar explicar como e por que certas coisas boas - ou ruins - acontecem. Li da filosofia existencialista mais respeitada às ficções mais aplaudidas. O homem estava lá, nos livros. Pude reconhecer sensações já vividas, e muitas delas me foram apresentadas pelos autores.
Depois parti para o zenbudismo, em busca da sabedoria oriental, que prescinde de palavras e se importa com o aqui e agora, o instante. É no aqui e no agora que as palavras se constroem, é a partir do aqui e do agora que as palavras se tornam necessárias para dizer o que houve. Seriam mesmo necessárias? Melhor não precisar de palavras quando o que é sentido é pleno, bom, único, belo... É o que é; inexplicavelmente vivo.
As palavras tocam o sentimento, mas são uma tentativa de nos fazer sentir alguma coisa. Quando sentimos de verdade, sem palavras, é outra coisa... E quando as palavras conseguem nos levar a esse lugar não feito de palavras, tornam-se palavras boas, eficazes no mais alto grau.
Ficar falando de ontem e inventando o amanhã pode ser interessante, mas nada supera o momento em vida.
Tem uma frase do livro Sonhos de Einstein que nunca mais esqueci:
"A brisa suave que sentem no rosto é mais importante que as recordações do passado".
A importância do momento de novo... E sempre. É no momento que a pessoa é feliz, que ri, que chora, que se atrapalha, que sofre, que ama... E depois vai vivendo de qualquer jeito até esbarrar em um momento "forte" de novo.
E nem todo momento é forte. Para bater, o martelo tem que recuar - um koan disse parecido. Martelar não é ficar com o martelo apoiado, é recuar e ir , recuar e ir... Os recuos - a não ação - são parte da ação.
No livro de Georges Bataille, A Experiência Interior:
"O que está escondido no riso deve permanecer assim".
Essas citações são palavras que tocam o sentimento, que se transformam em sensação quando lidas.
As palavras são inevitáveis quando o homem quer se pensar:"No que diz respeito aos homens, a sua existência liga-se à linguagem. Cada pessoa imagina, e assim conhece, a sua existência com a ajuda das palavras. As palavras lhe veem à cabeça, carregadas da multidão de existências humanas - ou não humanas, em relação às quais existe a sua existência privada. O ser é, em si, mediado pelas palavras (...)." (Bataille)
As palavras e o sentimento de plenitude: Se pegar feliz, levar um susto e se sentir invadido por uma sensação de plenitude, ou como preferem os orientais, se encaixar com o Uno, o universo.
Já fui feliz lavando louça; quando tocou uma música que me animou o corpo; dando uma risada; olhando alguém se mexer... Ficar "convulsivamente iluminado" em um instante. Quando se percebe o instante "mágico" ele acaba... Como um sonho do qual acordamos e queremos continuar a sonhar...
Sempre queremos mais? Mas o belo está em aceitar a duração e estar livre para outros monentos iluminados.
Sou como Bataille: "Vivo de experiência sensível e não de explicação lógica. Tenho uma experiência tão louca do divino que rirão de mim se a relatar".
Coisas pequenas? Detalhes? Ou o todo? A explicação para querer continuar?
Mais Bataille:
"As palavras designam mal o que vive o ser humano."
"A angústia, assim como a inteligência, é um meio de saber".
"A experiência interior é o contrário da ação".
"O eu-que-vive limita-se a pressentir a vertigem onde tudo acabará".
Os sentimentos de êxtase, as experiências de união com o todo ou de encontro consigo no delicado de um acontecimento são quase a ausência de si e nos faz voltar à vida quando nos vemos nesse lugar desconhecido dentro de nós, onde nos sentimos plenos de nada.(essa é minha mesmo..)
¶ 7:52 AM
RaioX
O que me vai por dentro e o que eu vejo através estão ou podem estar por aqui, se eu souber me expressar, se eu conseguir traduzir o que vai por dentro, além da superfície, botar em palavras sensações, sentimentos, emoções - coisas de que as imagens falam muito melhor.